Buen Camino Tomás!
- associacao santiago

- há 7 dias
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No dia de hoje, Tomas Martinez de Paz , o hospitaleiro Tomás , o de Majnarin, O último templário nos deixa . Seu legado fica com os peregrinos e amigos que cruzaram seu caminho nesta longa trajetória como talvez o mais singular e emblemático hospitaleiro de todo o Caminho de Santiago.

A história de Tomás de Manjarín está profundamente ligada à ideia de sonho, escolha e renúncia. Em um mundo que corre cada vez mais rápido, Tomás fez o movimento contrário: parou. Escolheu viver onde quase ninguém queria ficar, em uma aldeia esquecida pelo tempo, no ponto mais duro do Caminho Francês. Seu sonho não era conforto, fama ou reconhecimento. Era preservar algo que ele acreditava estar se perdendo no Caminho de Santiago: a hospitalidade simples, direta e humana.
Nós da Associação Internacional e a Paso a Paso, presidida pelo Acácio na Espanha sempre estivemos participando dos programas de inverno, da lenha para Manjarin, sendo as 2 únicas associações comprometidas com o albergue de Manjarin em todos estes anos em manter o funcionamento dele. Assim, nos é muito intimo este até logo. Quando dos grandes albergues e investimentos aparecerem, poucas associações se lembravam do povoado de Manjarin e de Tomás.O Caminho é também a consideração com quem começou tudo aquilo que todos aproveitamos hoje. Tomás é parte desta história. Nosso muito obrigado a todos que contribuiram nestes invernos para a sobrevivência do icônico refúgio de Manjarin.
Ao decidir atuar como hospitaleiro em Manjarín, Tomás abriu mão de uma vida comum para assumir uma missão que, para ele, era espiritual e pessoal. Não se via como dono do lugar, mas como guardião de uma tradição antiga, onde acolher significava proteger o peregrino do frio, do vento, da solidão e, muitas vezes, de si mesmo. Seu modo de viver era coerente com aquilo que pregava: pouco conforto, poucos recursos e muita presença.
Com os peregrinos brasileiros, Tomás mantinha uma relação especialmente marcante. Talvez pela abertura, pela emoção fácil ou pela forma intensa como os brasileiros vivem o Caminho, ele costumava demonstrar atenção, curiosidade e respeito. Muitos relatam conversas longas, conselhos duros, mas sinceros, e uma hospitalidade que não vinha em forma de agrado, mas de cuidado real. Ele sabia que muitos chegavam ali exaustos, física e emocionalmente, e oferecia aquilo que acreditava ser mais necessário naquele momento.
Tomás partiu, mas deixou algo que não se desfaz com o tempo: a lembrança de que o Caminho também é feito de pessoas que escolhem servir, mesmo quando isso significa viver à margem. Manjarín segue já apagada... raramente o sino que guiava os peregrinos é ouvido.
É Tomás, foi uma grande aventura de vida esta. Que siga novos Caminhos. Quem passou por lá, viu, sentiu como era. O Caminho segue vivo e que possamos não esquecer que pessoas como Tomás estiveram lá antes de tudo o que se tornou no mundo moderno o Caminho de Santiago.
Associação Internacional dos Amigos e Peregrinos dos Caminhos de Santiago - Brasil






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